Muitas notícias constam da agenda das chamadas forças vivas da sociedade, mas muitas mais surgem por acaso ou directamente através das fontes de cada órgão de comunicação social, e são estas, por norma, que constituem os «
exclusivos» dos jornais, isto é, as notícias ou reportagens que diferenciam os vários títulos.
A informação pode chegar às redacções das mais diversas formas: pode ser uma dica, um documento, ou uma simples conversa que se ouve na mesa de café ao lado.
Ao jornalista compete, ética e deontologicamente,
investigar a veracidade dos alegados factos de interesse apurados e, uma vez concretizado esse passo, permitir o exercício do contraditório, isto é, dar à(s) parte(s) envolvidas a possibilidade de explicarem a sua participação e interpretação dos factos.
A importância destes passos é tão mais importante quanto estejam em causa o bom nome, a reputação, a legalidade ou a honorabilidade de pessoas ou instituições:
o incumprimento de qualquer destas regras – verificação da veracidade e exercício do contraditório –
pode dar azo a direito de resposta, processos judiciais, responsabilidade criminal e pagamento de indemnizações. Em última análise pode destruir a carreira de um profissional ou abalar definitivamente a credibilidade de um título.
Hoje, as mesas de café ao lado foram substituídas, com múltiplas vantagens, pelos blogues.
Senão, vejamos: num dia um jornalista conseguirá ir a dois, talvez três cafés, e poderá ter a sorte de ter como companheiro de refeição ou na mesa ao lado alguém que, sendo portador de uma informação relevante, a mencione, com ou sem intenção de a tornar pública.
Mas um rápido navegar por alguns blogues, às primeiras horas da manhã, permite obter um sem número de dicas interessantes.
Aos blogues assumidamente escritos por jornalistas a outros que, anónimos, se adivinham ligados à imprensa, há ainda a somar os que são produzidos por um sem número de pessoas ligadas às mais diversas áreas e que, por razões profissionais, pessoais ou políticas, sabem, julgam saber ou querem que se saiba algo.
As questões que se levantam são, porém, mais do que muitas. O anonimato possibilitado pelos blogues, não apenas na autoria do mesmo mas em cada um dos posts, pode albergar más intenções, desde logo as de veicular mentiras como verdades, espalhando boatos cujos desmentidos, a verificarem-se, raramente resgatam o mal feito.
Mesmo quando a informação é verdadeira, e provada, a boas práticas mandam que o jornalista averigúe qual o objectivo da revelação.
Por vezes, na sede de avançar em primeira mão com uma notícia exclusiva, o jornalista serve, inadvertidamente, interesses escondidos. Precaver-se de manipulações é outro dos deveres do bom profissional ao serviço da informação.
Mas como se constrói o conhecimento na relação entre blogues e a imprensa?