quarta-feira, 9 de junho de 2010

Conversão do Conhecimento: Interação entre o Conhecimento Tácito e Conhecimento Explícito


A história da teoria do conhecimento humano ocidental pode ser vista como uma constante polémica em torno do tipo de conhecimento que é mais verdadeiro. Enquanto os ocidentais tendem a enfatizar o conhecimento explícito, os japoneses tendem a enfatizar o conhecimento tácito. O conhecimento tácito e conhecimento explícito não são entidades totalmente separadas, e sim mutuamente complementares. Interage um com os outros e realizam trocas nas actividades criativas dos seres humanos.

No que respeita à imprensa, é a transformação do conhecimento tácito em conhecimento explícito que é fundamental: de nada vale uma fonte que não exterioriza o que sabe. Mesmo que o seu conhecimento seja tácito, compete ao jornalista apenas publicar o que consiga, por modos diversos, tornar explícito.

Para perceber melhor os processos de socialização, externalização, combinação e internalização, clique no link seguinte (em brasileiro)

http://www.artigonal.com/gestao-artigos/quatro-modos-de-conversao-do-conhecimento-523599.html

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Para saber mais...


http://pt.wikipedia.org/wiki/Blog

http://jornalistas.online.pt/

E toda a Blogosfera... e a imprensa, claro!

Sugiro um clique em www.ofigueirense.com ;)

Conclusão: o bom, o mau e o possível



Pela sua interactividade, pela atractividade que possuem não apenas pelo seu público potencial mas também pelo anonimato que possibilitam, os blogues são – e é legítimo prever que continuem a ser, pelo menos num futuro próximo – fontes frequentes para a produção de notícias pelos órgãos de comunicação social tradicionais, como a imprensa.

Daqui decorre a importância, a nenhum título desprezível, de sujeitar as informações veiculadas pelos blogues ao cumprimento escrupuloso das regras a que a generalidade das fontes está sujeita antes da publicação de qualquer notícia.

A verificação, múltipla, dos alegados factos, neste trabalho muitas vezes abordados como «conhecimentos», é essencial, para que a imprensa não se confunda com um qualquer fazedor de boatos, ou de panfletos ao serviço de causas mais ou menos confessáveis, deitando por terra a sua missão de informar, sem deformar.

O exercício do contraditório também se aplica, da mesma forma que em notícias tendo por base qualquer outra fonte. Quando tal não seja possível, e sobretudo se o blogue-fonte for anónimo, compete ao jornalista e à sua chefia fazer a ponderação entre o interesse público da alegada notícia, a credibilidade dos factos e da fonte, e o risco da publicação. As boas práticas aconselham que, em caso de dúvida, se opte pela não publicação, sobretudo quando o contrário possa resultar em danos graves para a imagem de pessoas ou instituições.

A existência de blogues tem, conforme se constata, benefícios para a imprensa, na óptica da construção de conhecimentos publicáveis sempre e apenas quando sejam cumpridos, escrupulosamente, os métodos de investigação, confirmação e contraditório aplicáveis a todas as fontes.

Ainda a legislação: a dos blogues e a da imprensa


Como sempre, a legislação segue atrás dos acontecimentos. Mas tudo indica que, a médio prazo, se encontre forma de enquadrar legal e penalmente este novo meio, quando e sempre e que este se revelar de desinformação, mentira ou calúnia. Até lá, é aplicável a Lei de Imprensa, sempre que for esse o meio utilizado para difundir informações falsas veiculadas por blogues, e a legislação penal geral.

Enquadramento legal e perspectivas de evolução


A referência do blogue-fonte, como forma de salvaguardar o jornal e o jornalista de eventuais responsabilidades, é inocente e inconsequente. Em última análise, o órgão de comunicação social é sempre imputável pelas notícias que veicula, pelo menos – e não é pouco – moralmente, mas muitas vezes também judicialmente. Actualmente, a descoberta dos autores dos blogues e dos posts ainda não é um processo fácil, como se pode constatar no texto abaixo, de 2008:

“Na sexta feira passada foi suspenso o blog Póvoa Online, mediante uma decisão judicial inédita em Portugal que se seguiu a um processo legal iniciado por autarcas da Póvoa do Varzim. O blog foi removido do Blogger mas já tem um novo endereço no Blogspot, agora com o nome Póvoa Offline. Segundo uma notícia de hoje do Público a ordem foi emitida pelas Varas Cíveis de Lisboa a 13 de Maio e era dirigida à Google Inc. e à Google Portugal, detentoras do Blogger, mas só teve efeito na passada sexta feira, dia 27 de Junho. O novo Póvoa Offline retoma a mesma linha editorial do blog entretanto suspenso, visando novamente os autarcas Macedo Vieira e Aires Pereira. No primeiro posto é reconhecida a decisão "inteiramente justa do tribunal", reproduzindo-se em fac simile a notificação. Porém o o autor explica que "o povoaoffline surge na sequência da eliminação do povoaonline e com o objectivo de colmatar uma lacuna que existia na blogosfera poveira, no sentido de publicitar o belo trabalho que o Presidente Macedo Vieira tem empreendido no Município". Esta é uma decisão inédita apesar de outras polémicas relacionadas com blogs terem já ganho espaço na imprensa, nomeadamente relacionadas com a licenciatura de José Sócrates, que levou a uma audiência do autor no DCIAP. Mais recentemente a PSP terá instaurado um processo contra um blog de claques de futebol que alegadamente ameaçou membros da força policial.”

(in http://tek.sapo.pt/noticias/internet/blog_anonimo_portugues_encerrado_por_decisao_880814.html)

Um conhecimento que se constrói em ziguezague



Este é, assim, um conhecimento que se constrói em ziguezage, com fluxos e refluxos de informação entre blogues e imprensa, num filão explorado até à exaustão dos factos. No sentido blogue-imprensa, a informação é mais leve: não está sujeita ao mesmo código deontológico e é menos atreita a processos judiciais, até pela menor exposição mediática, ou seja, pelo menor público que, normalmente, têm os blogues, em comparação com a imprensa. Na direcção inversa, imprensa-blogues, a informação surge, via de regra, por citação directa, muitas vezes complementada por link para edição on-line do jornal em causa, pelo que se aplicam todas as regras a que a comunicação social está sujeita por lei, conforme veremos adiante.

Antes disso, aqui fica um blogue em que vale a pena clicar...

http://gjol.blogspot.com/

Os sete mandamentos para «transformar» o conhecimento de um blogue numa notícia


Como se constrói o conhecimento na relação entre blogues e a imprensa?

1 – Os blogues e/ou os posts são o meio onde o alegado conhecimento é disponibilizado.

2 – O jornalista acede ao blogue através de um computador ou telemóvel ligado à internet.

3 – O jornalista regista o alegado conhecimento.

4 – O jornalista confirma se se trata de um facto: ou contactando as pessoas ou instituições envolvidas; ou contactando o bloguer ou o autor do post em questão, se tal for possível, para obter mais informações relevantes, para depois contactar as pessoas ou instituições envolvidas.

5 – Confirmado o facto, repetindo o(s) passo(s) anterior(es) tantas vezes quantas as necessárias, o jornalista tem que contextualizar o tema, munindo-se de todos os elementos necessários à compreensão da notícia pelo seu público.

6 – Publicada a notícia (indicando, preferencialmente, o blog que esteve na sua origem, mas podendo legitimamente omiti-lo, quando o mesmo é anónimo, por exemplo, ou quando o trabalho subsequente alterou o rumo da notícia final), a mesma costuma ser citada pelo menos no blogue que «libertou» a dica e que, muitas vezes, quando não viu os seus créditos justamente atribuídos, os reclama.

7 – Outros jornais ou órgãos de comunicação social, alertados para a notícia, preferem muitas vezes socorrer-se do blogue original para apresentarem nova abordagem aos seus leitores, evitando assim a citação ou referência a órgãos concorrentes.

Os blogues, o conhecimento e a imprensa


Muitas notícias constam da agenda das chamadas forças vivas da sociedade, mas muitas mais surgem por acaso ou directamente através das fontes de cada órgão de comunicação social, e são estas, por norma, que constituem os «exclusivos» dos jornais, isto é, as notícias ou reportagens que diferenciam os vários títulos.

A informação pode chegar às redacções das mais diversas formas: pode ser uma dica, um documento, ou uma simples conversa que se ouve na mesa de café ao lado.

Ao jornalista compete, ética e deontologicamente, investigar a veracidade dos alegados factos de interesse apurados e, uma vez concretizado esse passo, permitir o exercício do contraditório, isto é, dar à(s) parte(s) envolvidas a possibilidade de explicarem a sua participação e interpretação dos factos.

A importância destes passos é tão mais importante quanto estejam em causa o bom nome, a reputação, a legalidade ou a honorabilidade de pessoas ou instituições: o incumprimento de qualquer destas regras – verificação da veracidade e exercício do contraditório – pode dar azo a direito de resposta, processos judiciais, responsabilidade criminal e pagamento de indemnizações. Em última análise pode destruir a carreira de um profissional ou abalar definitivamente a credibilidade de um título.

Hoje, as mesas de café ao lado foram substituídas, com múltiplas vantagens, pelos blogues.

Senão, vejamos: num dia um jornalista conseguirá ir a dois, talvez três cafés, e poderá ter a sorte de ter como companheiro de refeição ou na mesa ao lado alguém que, sendo portador de uma informação relevante, a mencione, com ou sem intenção de a tornar pública. Mas um rápido navegar por alguns blogues, às primeiras horas da manhã, permite obter um sem número de dicas interessantes.

Aos blogues assumidamente escritos por jornalistas a outros que, anónimos, se adivinham ligados à imprensa, há ainda a somar os que são produzidos por um sem número de pessoas ligadas às mais diversas áreas e que, por razões profissionais, pessoais ou políticas, sabem, julgam saber ou querem que se saiba algo.

As questões que se levantam são, porém, mais do que muitas. O anonimato possibilitado pelos blogues, não apenas na autoria do mesmo mas em cada um dos posts, pode albergar más intenções, desde logo as de veicular mentiras como verdades, espalhando boatos cujos desmentidos, a verificarem-se, raramente resgatam o mal feito.

Mesmo quando a informação é verdadeira, e provada, a boas práticas mandam que o jornalista averigúe qual o objectivo da revelação. Por vezes, na sede de avançar em primeira mão com uma notícia exclusiva, o jornalista serve, inadvertidamente, interesses escondidos. Precaver-se de manipulações é outro dos deveres do bom profissional ao serviço da informação.
Mas como se constrói o conhecimento na relação entre blogues e a imprensa?

I – Introdução

Os blogues são um fenómeno recente mas de grande impacto na vida de milhões de pessoas e de inúmeros serviços e produtos. Com o presente trabalho, pretendo abordar algumas das questões relacionadas com a interacção entre o universo dos blogues e o da informação no seu sentido mais tradicional, nomeadamente a imprensa.

Se do conhecimento dos factos nascem, idealmente, as notícias, importa saber de que forma o conhecimento pode, ou deve, ter origem no meio bloguístico, ou para ele contribuir. Que procedimentos é fundamental acautelar? Que regulamentação existe e se aplica? Quais os limites e as fronteiras, se as há, entre a informação sujeita à lei da imprensa e a veiculada na blogosfera?

Vamos descobrir mais sobre blogues nos posts...

Bem vindos a um blogue...


Este blogue é o resultado de um trabalho prático apresentado à unidade curricular de Gestão do Conhecimento, como parte dos requisitos exigidos na avaliação contínua do curso de Comunicação, ministrado no ISCIA.

Pretende-se abordar, de forma simples, a relação entre blogues e imprensa, no que respeita ao fluxo de conhecimentos e à sua gestão, compreendendo esta última em sentido lato: acesso e disponibilidade, visualização e apresentação, possibilidades de utilização e manipulação, capacidade de arquivo e interactividade tendente a uma construção que se pode perpetuar indefinidamente no tempo e no espaço virtual, convertível no entanto em suporte físico.

Espero que gostem...